Vila Meã, uma terra com história...

Real

 

População: 3142 (H: 1527 – M: 1615, Censo 2011)

Actividades económicas: Agricultura, indústria têxtil, construção civil, transformação de madeira e comércio.

Festas e romarias: S. Brás (2 e 3 de Fevereiro), S. Raimundo (último domingo de Agosto) e Menino Deus (1.º domingo de Janeiro).

Património: Igreja Velha, capelas de S. Brás e de S. Roque, Paços do Concelho e tribunal.

Outros locais: Casa do Carvalho, Casa de S. Brás e rio Odres.

Gastronomia: Fumeiro, cabrito assado, arroz de cabidela e vinho verde

Artesanato: Bordados, tecelagem, ferraria, cestaria, rendas e malhas

Colectividades: Atlético Clube de Vila Meã, Associação Beneficência Vila Meã, Clube de Caça e Pesca de Vila Meã, Grupo de Cantares e Danças de Santa Cruz de Riba Tâmega, Rancho Folclórico de Santa Cruz de Vila Meã

Orago: Divino Salvador

Feiras: Semanal, aos sábados

 

 

História

A freguesia de Real, faz parte, desde 24 de Outubro de 1855, do concelho de Amarante. Até essa data pertenceu (e foi cabeça) do concelho de Santa Cruz de Riba Tâmega.

Situada em grande parte da sua área na margem esquerda do rio Odres (rio que nasce em Santa Cristina de Figueiró e desagua no rio Tâmega, em Canaveses), a freguesia de Real, devido à sua excelente localização geográfica e à fertilidade do seu solo, foi habitada desde tempos remotos. Os mais antigos vestígios de ocupação humana remontam à época Neolítica. Nos anos 50 do século XX, durante a construção do Bairro Brasil, foi descoberta uma necrópole romana do século IV, cujo espólio incluía cerâmica de tipologia variada e moedas dos imperadores Cláudio II e Constantino.

O topónimo Real, como actualmente se escreve, nada tem a ver com o primitivo Rial, ou S. Salvador de Rial, tal como consta nas Inquirições de 1220 (D. Afonso II) e 1258 (D. Afonso III). Rial (conjunto de várias nascentes) deriva de rigu e não de rex. A topografia demonstra que essa denominação fazia (e faz) todo o sentido.

Nas referidas Inquirições de 1220 havia na freguesia onze casais que pertenciam à Igreja, sete ao mosteiro de Mancelos, três ao Mosteiro de Bustelo, um ao de Travanca e dois à Igreja de Vila Cova.

Em 1258, o povoamento compunha-se de 27 casais e duas quintanas, uma das quais era honra do nobre João Martines, de Ataíde. Da igreja (que era padroado particular) devia o rei receber um morabitino por ano e os seus abades eram obrigados a ir com o rei na hoste, como capelães.

A freguesia é citada no Foral que o rei D. Manuel I concedeu ao concelho de Santa Cruz de Riba Tâmega em 1 de Setembro de 1513. Nele se referem os impostos a pagar por alguns casais. O abade pagava então um maravedi ao senhor da terra, isto é, do concelho, que, na época, caso fosse vivo (sabe-se que ainda o era em 1511), era o filho natural de D. Diogo de Castro, D. João de Castro, monge e abade comendatário de Travanca (a quem D. Afonso V confirmara o concelho), que o havia herdado de sua tia D. Maria de Castro, a qual, por sua vez, o herdara por morte de seu marido Vasco Martins de Resende. Depois da morte de D. João de Castro, o concelho voltou à Coroa até 1/1/1573, data em que D. Sebastião o doou a D. Garcia de Meneses.

Nos inícios do século XVIII, quando o padre António Carvalho da Costa publicou a sua Corografia Portuguesa, a freguesia era já Abadia do Mosteiro de Travanca (o que obrigava o abade de Real a dar todos os anos um jantar à comunidade monástica de Travanca), rendia 350 mil reis e tinha 160 fogos.

Em finais do século XVIII, como se pode ler numa Descrição Geográfica e Económica da Província do Minho, “O Salvador de Real” (é assim que aparece grafado) tinha 200 fogos, 573 “almas”, 4 “clérigos” e rendia 550 mil reis. Um século mais tarde (censo de 1900), Real tinha 286 fogos e 1210 habitantes. Pelo último censo (2001), há 950 edifícios para um total de 3429 habitantes.

S. Salvador de Real, para além da sua igreja românica (muito alterada durante o século XVIII) tinha então sete capelas: S. Tiago e S. Brás, no lugar de Real de Além, fábrica de Fernando de Magalhães de Meneses, morador nesse lugar; Nossa Senhora da Luz, no lugar do Mato, fábrica do referido Fernando de Magalhães de Meneses (demolida no século XX); S. Roque, na Ponte de Pedra, fábrica dos moradores da freguesia; S. Gonçalo, no lugar do Salvador, fábrica de Manuel Duarte Teixeira, do mesmo lugar (demolida nesse século, mais tarde levantada e demolida novamente no século XX); Menino Deus, no lugar de Vila Meã, fábrica de Pedro da Silva (actualmente em ruínas); Santa Comba, no lugar do mesmo nome, fábrica de Caetano Luís da Silva, morador no lugar da Terça, igualmente demolida no século XX e a capela de Santo António, no lugar do Carvalho, administrada em 1758 por Luís António de Vasconcelos.

Nos anos 30 do século XX foi construída a nova igreja de Real, num terreno oferecido por José da Rocha, José de Vasconcelos e Rui Teixeira de Sousa. A construção prolongou-se por três anos e o seu custo atingiu 350 contos, tendo o Estado comparticipado com 120. Deve-se a nova igreja à acção filantrópica de Raimundo Magalhães e família e dos irmãos Rodrigo, Joaquim e António de Oliveira Carvalho. Estas duas famílias de “brasileiros” tiveram um papel fundamental no desenvolvimento da freguesia. À primeira deve-se a Escola Primária “Justina e Elisa Magalhães”, inaugurada em 1930, cujo custo ultrapassou os 100 contos. O Cine-Teatro e o Bairro Brasil também só foram possíveis pelo seu generoso contributo (embora houvesse ajuda de outros emigrados Vilameanenses no Brasil); à segunda, mais especificamente a Rodrigo de Oliveira Carvalho, deve-se a doação ao Atlético Clube de Vila Meã do seu velho campo de futebol.

Sendo, como é, a maior freguesia de Vila Meã, Real tem um património cultural e artístico considerável: para além da já referida Igreja Velha e de algumas capelas, refira-se o Pelourinho de Santa Cruz de Riba Tâmega, classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 23122 de 11/10/1933; a Casa do Carvalho (século XVI, modificada e aumentada posteriormente), classificada também como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 28/82, de 26/02; os antigos Paços do Concelho (séc. XVII), actualmente em fase de restauro para futura Biblioteca Municipal de Vila Meã, e a Casa das Donas (séc. XVIII). Há ainda outras casas de grande interesse arquitectónico, como a Casa de Benfica, a Casa da Boavista (belo exemplar da chamada “casa de brasileiro”), a casa onde nasceu (em 1922) a grande escritora Agustina Bessa-Luís e o palacete onde funcionou inicialmente o Externato de Vila Meã.

Para além deste tipo de arquitectura, merecem ainda referência alguns belos exemplares do nosso património agrícola, representado por espigueiros, eiras, casas graníticas de lavoura e velhos moinhos de água.

Tal como é comum na maioria das freguesias nortenhas, Real também tem as suas festas. Extinta a mítica e antiquíssima Festa da Cerca nos anos 30 do século XX (festa que se realizava no primeiro domingo de Maio, em honra de Nossa Senhora da Piedade), Real passou a celebrar S. Raimundo Nonato no último domingo de Agosto; desde há alguns anos, a festa passou a associar o Divino Salvador (padroeiro da freguesia) ao santo “protector das mães, antes e depois do parto”.

As festas não se ficam por aqui: no primeiro domingo de Janeiro realiza-se a Festa do Menino, em honra do Menino Jesus e tem como juízes alguns rapazes solteiros da freguesia. Primitivamente, havia uma procissão que saía da Igreja Velha para a capela de Santa Comba, junto à qual se fazia um leilão com as prendas recebidas. Depois da demolição dessa capela, a procissão passou a fazer-se da Igreja Nova para a capela de S. Roque, onde se fazia o dito leilão. Actualmente, a procissão já não vai a S. Roque e o leilão faz-se no adro da igreja.

A mais popular de todas as festas é, porém, a de S. Brás. É uma festa típica de Carnaval, com um dia de folguedo (2 de Fevereiro) e outro de devoção (3 de Fevereiro). No dia 2, ao fim da tarde, na encosta do monte, junto à capela, continuam a ver-se farnéis de broa, salpicão e figos, sempre acompanhados por um vinho tinto da região; no dia 3, manda a tradição que haja missa, sermão e um clamor que dará três voltas à capela.

Real também não esquece os seus mortos: no dia 1 de Novembro, dia de Todos-os-Santos, continua a cumprir-se o antigo ritual de organizar um clamor que sai da capela de S. Roque, na Ponte da Pedra, em direcção ao cemitério da freguesia. Assim se fecha o ciclo das suas manifestações religiosas.

Com 7,6 Km2, tem, pelo Censo de 2011, 1202 fogos e 3142 habitantes (densidade populacional de 413 hab./ Km2).

 

Saber mais...

   Real - Memórias Paroquiais (1758) (c) Leitura e transcrição de António José Queiroz 
(c) Leitura e transcrição de António José Queiroz

 

(Junta de Freguesia de Real)

Junta de Freguesia:

Presidente: José Augusto Sousa Oliveira

Secretário: Adão Pinheiro Carvalho Maia

Tesoureiro: Teresa Marta Magalhães Teixeira

 

Assembleia de Freguesia:

Presidente: Acácio Carlos da Silva Magalhães

1º Secretário: Frederico António Beça Cardoso

2ª Secretária: Sandra Marlene Queirós Oliveira

 

Contactos:

Endereço: Bairro Brasil, Real - 4605-307 VILA MEÃ

Telefone: 255 731 861

E-mail: jfreal@mail.pt

 

Horário de atendimento:

Quarta-feira | 21h00-23h00 Sabado | 09h00-13h00

 

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